Ex-amigo de Lula diz que entregou fita com pistas sobre Celso Daniel

O Ministério Público de São Paulo deverá ouvir nos próximos dias o fazendeiro Valter Sâmara, ex-amigo de Lula que afirma ter entregue ao ex-presidente uma gravação com pistas sobre o assassinato de Celso Daniel, prefeito de Santo André e coordenador do então candidato à presidência da República nas eleições de 2002.

Os áudios revelariam detalhes de um suposto esquema de corrupção na prefeitura da cidade da Grande São Paulo e os promotores paulistas acreditam que as revelações podem abrir novas linhas de investigação. Por isso, correm contra o tempo, pois o crime, ocorrido em janeiro de 2002, está prestes a prescrever.

As gravações conteriam uma conversa entre o ex-ministro Gilberto Carvalho e Miriam Belchior, que foi casada com Celso Daniel, com orientações sobre como ela deveria se comportar no período de luto e supostos repasses de propina, chamados de “pacotinhos”. Ambos eram secretários da administração petista em Santo André na época do sequestro e assassinato de Celso Daniel.

O fazendeiro Valter Sâmara, que foi amigo pessoal de Lula por cerca de 25 anos, entre as décadas de 1980 e 2000, disse que levou o material — recebido por ele meses depois da morte de Celso Daniel — para Lula, mas o ex-presidente teria classificado a gravação como uma montagem.

“Nessa fita, o Gilberto Carvalho falava com a Miriam. Eu escutei a fita. Fui falar com o Lula. Ele disse que isso aí é montagem. Eu discordei dele, mas não quis questionar. [Disse a Lula] Estou mostrando para te prevenir”.

Sâmara teria se oferecido como colaborador da Lava Jato. À revista Crusóe, diz que entrou em contato com os procuradores por meio de seu advogado e que iria contar fatos ocorridos em duas décadas. Entre eles, o assassinato. Porém, um mês após o contato, homens armados invadiram a loja de roupas da família e a residência da irmã do fazendeiro.

“Queriam um documento, a fita do PT. Foram lá com esse objetivo. Foram em cinco pessoas para bater nele. Mas, eu não tinha mais essa fita. Eu deixei com o Lula. A conversa era dando conselhos para ela [Miriam], como deveria se comportar, andar. E sobre os pacotinhos que tinham lá. Para ele ir buscar”.

O fazendeiro disse que não fez cópias da gravação e também não sabe o motivo da tentativa criminosa de recuperar a fita somente em 2018. “Eu gostaria de saber o por quê. Porque não vieram falar comigo? E eu não tenho essa fita”, reafirmou Sâmara.

Outro lado

O ex-ministro Gilberto Carvalho diz que desafia o fazendeiro Valter Sâmara a submeter a fita a uma perícia e que os chamados pacotinhos, como seria definida a propina, são uma invenção do fazendeiro.

A assessoria do ex-presidente Lula informou que ele não vai comentar o que qualificou de fofoca. Miriam Belchior diz que a referida conversa com o ex-ministro nunca existiu.

Relembre personagens relacionados ao caso Celso Daniel que morreram:

Então prefeito de Santo André, Celso Augusto Daniel era um importante quadro do PT no início da década de 2000 e seria o coordenador de campanha da sigla para a eleição presidencial de 2002

Celso Daniel, de 51 anos, foi encontrado morto na Estrada das Cachoeiras, em região afastada do município de Juquitiba, na Grande São Paulo, no dia 20 de janeiro de 2002

Celso Daniel, de 51 anos, foi encontrado morto na Estrada das Cachoeiras, em região afastada do município de Juquitiba, na Grande São Paulo, no dia 20 de janeiro de 2002

O carro em que o prefeito estava — ele retornava para Santo André após jantar com um amigo no restaurante Rubaiyat, no bairro dos Jardins, em São Paulo — foi abordado por uma quadrilha na Antônio Bezerra, conhecida como rua dos Três Tombos, no bairro do Sacomã, caminho para o ABC

O carro em que o prefeito estava — ele retornava para Santo André após jantar com um amigo no restaurante Rubaiyat, no bairro dos Jardins, em São Paulo — foi abordado por uma quadrilha na Antônio Bezerra, conhecida como rua dos Três Tombos, no bairro do Sacomã, caminho para o ABC

Após o crime, houve muita polêmica em relação à motivação do crime. A Polícia Civil classificou o caso como um crime comum. No entanto, o Ministério Público de São Paulo entendeu que a morte de Celso Daniel tinha conotação política. Outras mortes de pessoas que estiveram de alguma forma ligadas ao caso geraram ainda mais desconfiança naqueles que defendiam a tese de crime político<br><br><b><a href="https://noticias.r7.com/brasil/irmao-de-celso-daniel-acredita-que-lava-jato-pode-esclarecer-crime-01042016">Irmão de Celso Daniel acredita que Lava Jato pode esclarecer crime</a></b>

Após o crime, houve muita polêmica em relação à motivação do crime. A Polícia Civil classificou o caso como um crime comum. No entanto, o Ministério Público de São Paulo entendeu que a morte de Celso Daniel tinha conotação política. Outras mortes de pessoas que estiveram de alguma forma ligadas ao caso geraram ainda mais desconfiança naqueles que defendiam a tese de crime político

O empresário Sérgio Gomes da Silva, conhecido como Sombra, com quem o prefeito Celso Daniel havia saído para jantar quando foi sequestrado, se tornou um dos principais suspeitos no caso. Ele morreu vítima de um câncer, em 2016. Dois anos antes, o Supremo Tribunal Federal (STF) havia anulado parte do processo sobre o envolvimento do empresário no crime<br><br><b><a href="https://recordtv.r7.com/jornal-da-record/sombra-abriu-porta-para-assassinos-de-celso-daniel-diz-testemunha-localizada-pela-rede-record-29092018">Sombra abriu porta para assassinos de Celso Daniel, diz testemunha localizada pela Rede Record</a></b><br>

O empresário Sérgio Gomes da Silva, conhecido como Sombra, com quem o prefeito Celso Daniel havia saído para jantar quando foi sequestrado, se tornou um dos principais suspeitos no caso. Ele morreu vítima de um câncer, em 2016. Dois anos antes, o Supremo Tribunal Federal (STF) havia anulado parte do processo sobre o envolvimento do empresário no crime

Dionísio de Aquino Severo, que seria o líder da quadrilha da Favela do Pantanal, acusada pelo sequestro e execução de Celso Daniel, havia sido resgatado de forma cinematográfica do Presídio Parada Neto, em Guarulhos (SP), por um helicóptero, dias depois do crime. O acusado foi preso meses depois, ainda em 2002, e encontrado morto no Centro de Detenção Provisória (CDP) do Belém, na zona leste de São Paulo

Dionísio de Aquino Severo, que seria o líder da quadrilha da Favela do Pantanal, acusada pelo sequestro e execução de Celso Daniel, havia sido resgatado de forma cinematográfica do Presídio Parada Neto, em Guarulhos (SP), por um helicóptero, dias depois do crime. O acusado foi preso meses depois, ainda em 2002, e encontrado morto no Centro de Detenção Provisória (CDP) do Belém, na zona leste de São Paulo

Otávio Mercier, investigador da Polícia Civil que teria trocado telefonemas com Dionísio de Aquino Severo, após a fuga do suspeito da penitenciária, foi morto a tiros, em 2003

Otávio Mercier, investigador da Polícia Civil que teria trocado telefonemas com Dionísio de Aquino Severo, após a fuga do suspeito da penitenciária, foi morto a tiros, em 2003

Carlos Delmonte Printes, médico legista responsável pelo caso que assinou um laudo no qual identificava sinais de tortura no corpo de Celso Daniel, foi encontrado morto em seu escritório, em 2005. Ele teria cometido suicídio<br>

Carlos Delmonte Printes, médico legista responsável pelo caso que assinou um laudo no qual identificava sinais de tortura no corpo de Celso Daniel, foi encontrado morto em seu escritório, em 2005. Ele teria cometido suicídio

Antonio Palácio de Oliveira, o garçom que serviu o último jantar do prefeito antes de ser sequestrado, morreu em um acidente de moto, em 2003. Ele teria sido perseguido por dois homens antes de bater em um poste, na zona leste de São Paulo. A polícia concluiu que houve um roubo seguido de morte

Antonio Palácio de Oliveira, o garçom que serviu o último jantar do prefeito antes de ser sequestrado, morreu em um acidente de moto, em 2003. Ele teria sido perseguido por dois homens antes de bater em um poste, na zona leste de São Paulo. A polícia concluiu que houve um roubo seguido de morte

Paulo Henrique Brito, testemunha do acidente em que o garçom perdeu a vida, foi morto com um tiro cerca de 20 dias depois<br>

Paulo Henrique Brito, testemunha do acidente em que o garçom perdeu a vida, foi morto com um tiro cerca de 20 dias depois

O nome do ex-presidente <b><a href="https://jornaldebrasilia.com.br/politica-e-poder/lula-seria-um-dos-mandantes-do-assassinato-de-celso-daniel-segundo-marcos-valerio/">Lula, preso na Polícia Federal, em Curitiba, foi citado pelo empresário Marcos Valério, condenado por participação no processo conhecido como Mensalão, como um dos mandantes</a></b> do assassinato. Na foto, o então candidato à presidência da República chora durante o velório de Celso Daniel<br><b><a href="https://jornaldebrasilia.com.br/politica-e-poder/lula-seria-um-dos-mandantes-do-assassinato-de-celso-daniel-segundo-marcos-valerio/"></a></b>


O nome do ex-presidente Lula, preso na Polícia Federal, em Curitiba, foi citado pelo empresário Marcos Valério, condenado por participação no processo conhecido como Mensalão, como um dos mandantes do assassinato. Na foto, o então candidato à presidência da República chora durante o velório de Celso Daniel

Confira a matéria na integra:

https://noticias.r7.com/brasil/ex-amigo-de-lula-diz-que-entregou-fita-com-pistas-sobre-celso-daniel-09012020?amp

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